Leandra Leal precisou fazer aulas de canto, dança, violão e culinária para novela

Confusão deixou pelo menos 23 feridos

Se essa zorra não virar...

Carlos Eduardo Cardoso
10/02/12 01:19
atualizado em 10/02/2012 01:15

Trem para, passageiros são tratados como sardinha em lata e rola quebra-quebra em três estações e na Central do Brasil. Polícia baixa o sarrafo em geral

Defeito em trem da Supervia na manhã de ontem provocou grande confusão em quatro estações e transformou a Central do Brasil em praça de guerra. A Polícia Militar e a Guarda Municipal utilizaram bombas de efeito moral, gás de pimenta e armas não-letais para conter os manifestantes, que protestavam contra o serviço. Houve quebra-quebra ainda em Sampaio, Madureira e Deodoro. Um homem foi preso, e 23 pessoas acabaram socorridas no Hospital Souza Aguiar, no Centro.

A revolta dos passageiros começou quando trem que seguia de Queimados para a Central sofreu pane próximo à estação de Sampaio, por volta das 7h10. Passageiros ficaram por mais de 10 minutos no trem, até que abriram as portas manualmente e sentaram nos trilhos para protestar. PMs foram acionados e usaram até bomba de efeito moral para tentar retirar as pessoas da linha férrea. "O trem parou em Sampaio. Achamos estranho o maquinista sair, entrar em outro trem e ir embora. Ninguém sabia o que estava acontecendo. O pessoal se aborreceu e foi para a linha. Tudo estava pacífico, mas a PM chegou jogando bomba", explicou o eletricista Robson Rodrigues, 38 anos, ferido nos braços.

Com o fechamento de cinco estações, os atrasos chegaram a 40 minutos nos ramais de Japeri, Deodoro e Santa Cruz. Trancados nas estações e sem saber o que estava acontecendo, usuários se revoltaram e depredaram as instalações.

Vandalismo assusta passageiros e comerciantes

O clima de vandalismo levou medo a quem tentava sair da estação de Madureira. Dois quiosques foram saqueados. "O povo parecia bicho. As pessoas jogavam coisas para o alto e gritavam. Chegaram ao limite da humilhação pela SuperVia", disse o advogado Julio Leonardo dos Santos, 25 anos.

O medo também atingiu os comerciantes. O jornaleiro Jorge Pereira viu a confusão e logo decidiu fechar as portas. "Não há condições de trabalhar assim. Se eu der mole, eles bagunçam a minha banca também", afirmou.

Em Deodoro, passageiros incendiaram um caixa eletrônico, mas o cofre do equipamento não chegou a ser atingido, e o Corpo de Bombeiros foi acionado para controlar as chamas. Ninguém ficou ferido.

Choques e gás pimenta

Na Central, passageiros fizeram novo protesto e foram contidos por PMs e guardas municipais, que usaram pistolas de choque e sprays de pimenta. "A gente já desembarcou com spray de pimenta na cara. Um homem que teve crise epilética ficou jogado no chão, e nenhum PM ou funcionário da Supervia ajudou", reclamou a cozinheira Vera Lúcia Augusta, 54.

Sem paradas até a Central

De acordo com o motorista Ricardo Alexandre, 35, os passageiros ficaram ainda mais revoltados porque os trens não pararam para desembarque entre as estações Sampaio e Central. Ele conta que alguns usuários jogaram lixeiras para o alto e quebraram um painel de anúncios publicitários. "O trem foi direto para a Central, sem fazer paradas no meio do caminho", afirma.

 

Prendeu 3, pediu música


© Copyright Editora O DIA S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O DIA.