Só vão atender casos de emergência
Policiais e bombeiros entram em greve hoje
atualizado em 10/02/2012 01:21
A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou ontem, por 60 votos a um (2 abstenções e 7 faltosos), o projeto de lei que concede 38,81% de aumento aos 122.640 servidores da Segurança Pública do estado, a ser quitado em fevereiro de 2013. O reajuste não foi suficiente. Assembleia ontem à noite na Cinelândia reuniu três mil policiais militares e civis e bombeiros, que decidiram pela greve a partir do primeiro minuto de hoje.
O Comando Militar do Leste colocou ontem à disposição do estado do Rio 14 mil homens do Exército para fazer a segurança. Outros 300 integrantes da Força Nacional vão reforçar o Corpo de Bombeiros. O objetivo é garantir proteção a moradores e turistas durante o Carnaval.
Comandante do Corpo de Bombeiros e secretário de Defesa Civil do Rio, coronel Sérgio Simões afirmou que 700 homens estão de prontidão. Também está prevista a atuação na rua de dois mil bombeiros que trabalham no serviço administrativo.
O governo estadual pode usar as tropas do Exército a qualquer momento. O governador Sérgio Cabral e os secretários de Segurança, José Mariano Beltrame, e Sérgio Simões fizeram reunião para avaliar a adesão ao movimento durante as primeiras horas da madrugada.
Mais cedo, o governador Sérgio Cabral citou que o reajuste concedido à categoria representará impacto de R$ 1,8 bilhão nos cofres públicos e disse que confia nas instituições. "Se todos os meus antecessores tivessem feito o mesmo, o padrão salarial dos militares seria um dos melhores. Mas não fizeram nada antes de mim", afirmou ele, à tarde.
Líderes dos bombeiros chegaram a apresentar pauta de reivindicações para não parar. Eles pediam auxílio-transporte e alimentação de R$ 350, piso salarial de R$ 3.500 e jornada de 40 horas semanais.
Grevistas vão para os quartéis
Os policiais militares, inclusive os de folga e férias, prometeram ficar nos quartéis e só atender emergências, com no máximo 30% do efetivo. Presidente do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil, Fernando Bandeira, orientou a população a ficar em casa.
Na Civil, somente a Divisão de Homicídios funcionará 100%. As demais unidades vão atender apenas casos emergenciais, como liberação de guias para remoção de cadáver e flagrantes.
No caso dos policiais militares, a estratégia é irem todos para as unidades para evitar prisões de parte do efetivo. Em junho do ano passado, 437 bombeiros e dois PMs foram detidos após invasão ao Quartel-General dos Bombeiros, na Praça da República, no Centro.
Reivindicam liberdade de cabo
Além de considerarem o reajuste de 38,81% insuficiente, os grevistas incluíram em sua pauta de reivindicações a soluta do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo. A juíza Ana Paula Figueiredo, da Auditoria de Justiça Militar, decretou a prisão preventiva de Daciolo, acatando pedido do corregedor da corporação, Edson Senra. Na decisão, a magistrada argumentou que o militar viajou, sem autorização, para Salvador e foi flagrado em escutas telefônicas debatendo os rumos da greve dos policiais baianos.
Em um trecho da escuta, Daciolo ressalta que não teria Carnaval na Bahia nem no Rio. Para a juíza, a prisão é necessária para garantir a disciplina militar. O cabo é acusado de incitar a prática de outros delitos militares. Ele está preso no Complexo de Bangu.







