Plantão de Polícia

Bandidão arranca a cabeça de rival e faz pose para foto

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30/03/11 01:00


Cabeça de Parazão foi deixada em uma esquina movimentada de Madureira

A manhã do dia 4 de novembro de 2010 foi marcada pela cena macabra protagonizada por traficantes do Morro da Serrinha, em Madureira, que após executarem seu principal inimigo, jogaram a cabeça de Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, em plena Avenida Ministro Edgar Romero. Os bastidores deste filme de terror são revelados agora pelo MEIA HORA e comprovam a frieza do bando do Terceiro Comando Puro (TCP), que ainda domina a região e mantém o controle das bocas de fumo da localidade.

A guerra pelo controle local foi iniciada em setembro de 2009, depois que Parazão, ex-braço-direito do chefão da Serrinha, Jorge Porfírio de Sousa, o Dinho, fugiu para a Vila Cruzeiro, no Complexo da Penha. Lá, passou a ser financiado por Luiz Claudio Serrat Corrêa, o CL, e deu início às invasões feitas pelo Comando Vermelho (CV).

Mas na noite de 3 de novembro, Dinho conseguiu capturar Parazão numa casa próxima à mata da localidade conhecida como Dendezinho. Após decapitarem o rival, os bandidos passaram a exibir a cabeça como um troféu e posaram para fotos.

Uma das fotos foi enviada para o celular do próprio Claudinho CL. Nela, Marcelo Silva Batista, o Lerdinho, número 2 da Serrinha, segura a cabeça de Parazão e exibe um fuzil encontrado com ele.

Resto do corpo não foi achado

Moradores da Serrinha relatam que o próprio Dinho também chegou a posar para as fotos com a cabeça de Parazão. O restante do corpo, até hoje, não foi achado. Lerdinho, porém, é o bandido mais temido da comunidade. Inclusive pelos rivais do morro em frente, o Cajueiro, dominado pelo CV. No último mês, Lerdinho teria sequestrado três bandidos que ficaram na beira da favela. O trio foi levado para ser torturado dentro da Serrinha.

Roubou grana e trocou de facção criminosa

Até meados do ano passado, Valmir Bernardo da Silva, o Parazão, era homem de confiança de Jorge Porfírio de Souza, o Dinho. O rompimento ocorreu porque Parazão teria roubado o antigo comparsa e mudado de lado.

Após a encomenda de dez fuzis que haviam sido roubados em São Paulo, Parazão teria pego o dinheiro da compra das armas, roubado outros fuzis e trocado o Terceiro Comando Puro (TCP) pelo Comando Vermelho (CV).

Desde então, Parazão, que se abrigou nos complexos da Penha e do Alemão, antes destas comunidades serem tomadas pelas Forças de Paz, passou a atacar o Morro da Serrinha para tentar assumir o controle do tráfico no local.