Preso após denúncia anônima
‘Ela caiu no chão e eu voei no seu pescoço’
atualizado em 03/08/2012 00:11
O caseiro Ênio Tomaz da Rocha, de 47 anos, confessou ontem, em depoimento na Divisão de Homicídios (DH), ter matado e enterrado a patroa, Alpha Dias Kieling, de 76, no jardim da sua casa, em São Conrado, na Zona Sul do Rio. O acusado teve a foto divulgada na terça-feira pela Polícia Civil e acabou sendo preso ontem, depois que uma denúncia anônima feita ao 23º BPM (Leblon) indicou que ele estava caminhando na ciclovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, por volta das 9h. Ênio já responde por outro homicídio.
Ao explicar o motivo do crime, Ênio descreveu a ação: "Ela (Alpha) meteu a mão no meu bolso, pensou que eu havia roubado alguma coisa. Perdi a cabeça e acabei empurrando-a. Ela caiu no chão e eu voei no pescoço dela".
Abordado na Lagoa, o acusado não esboçou reação. "Você sabe o motivo de estar sendo preso?", perguntou um dos PMs. O caseiro balançou a cabeça afirmativamente. Ênio carregava uma mochila com bermuda, óculos e papéis com números de telefones. "Ele estava bem disfarçado, com boné apertado na cabeça e óculos. Não dava para reconhecer de longe", disse o sargento Sandro Neto.
Ênio chegou à DH agitado e agressivo. "Ficou muito nervoso, batendo as pernas e falando que queria um defensor público", contou o delegado titular da especializada, Rivaldo Barbosa.
O executivo Roberto Danenberg, de 48 anos, filho de Alpha, comemorou a prisão: "Tiraram das ruas um assassino cruel. Quero que ele fique trancafiado na cadeia para o resto da vida".
‘Frio e calculista', diz delegado
Segundo o delegado Rivaldo Barbosa, da DH, o inquérito ainda não foi concluído porque faltam laudos do IML complementares para atestar a causa da morte da idosa. O documento final sai em no máximo 30 dias.
"Não restam dúvidas de que foi Ênio quem matou a idosa. Ele é uma pessoa fria e calculista", afirmou Rivaldo.
Desde domingo, quando o corpo de Alpha Kieling foi encontrado, mais de quatro operações foram realizadas para tentar encontrar o caseiro na Favela da Rocinha, onde ele mora. Alguns endereços foram passados através de denúncias anônimas como sendo do acusado, mas ele não foi encontrado em nenhum deles.
Só Ênio tinha acesso à casa
Ênio foi preso por roubo e furto em 2006. Em junho, teve prisão preventiva decretada pela morte de Cleiane Oliveira, em Botafogo. Ele foi acusado de violentar a jovem, matá-la por asfixia e jogar o corpo na Praia de Botafogo.
O desaparecimento de Alpha foi registrado no último dia 20. O crime de Botafogo foi um dos indícios para a polícia suspeitar de Ênio, que trabalhava para a idosa há cinco meses cuidando do jardim e dos cachorros. Além disso, ele teria dito a um segurança da rua que ela havia viajado para Teresópolis, o que não aconteceu. "E somente ele tinha acesso à casa", disse Rivaldo.
Se for condenado pelo homicídio de Alpha, o caseiro pode pegar até 30 anos de prisão.





