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Tragédia em Madureira

Carro que atropelou na Portela é queimado

14/02/12 01:54
atualizado em 13/02/2012 23:55

Mercedes, que era roubado, foi incendiado pelos criminosos em Barros Filho

Policiais do 9º BPM (Rocha Miranda) encontraram ontem o carro que teria sido usado pelo bando que, em fuga, furou a interdição do trânsito para o ensaio da Portela, em Madureira, na tarde de domingo, atropelando dezenas de vítimas - uma idosa morreu e 47 pessoas ficaram feridas. Avaliado em mais de R$ 117 mil, o Mercedes-Benz C180 ano 2012 estava abandonado às margens do Rio Acari, na Favela Proença Rosa, em Barros Filho, e havia sido incendiado.

Segundo agentes do Serviço Reservado do batalhão, o carro teria sido roubado na Estrada Marechal Alencastro, em Ricardo de Albuquerque, momentos antes da tragédia. Dois traficantes, identificados apenas como Bruninho e Tatola, são apontados como os responsáveis pelos atropelamentos.

Investigações separadas

Ao chegarem à favela, em busca do veículo e dos bandidos, os PMs foram recebidos a tiros, mas ninguém ficou ferido. O delegado da 29ª DP (Madureira), Rubem Eduardo Campos, disse que está investigando, de forma separada, os atropelamentos e a explosão da bomba, que ocorreu logo em seguida, embora não descarte ainda uma possível ligação entre os dois casos.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, imagens feitas por cinegrafistas amadores e pelas câmeras da CET-Rio estão sendo analisadas pelos agentes para tentar identificar os bandidos.

Idosa que morreu tinha medo de atravessar ruas

O corpo de Maria Helena de Melo, 60 anos, que morreu após ser atropelada, será enterrado hoje, no Cemitério do Murundu, em Padre Miguel. Ontem, no velório, em Bangu, a filha dela, a professora Gabriela, 30, disse que a família está chocada com a tragédia. "Minha mãe estava muito feliz. Em outubro, depois de seis anos, ela havia reatado o casamento com meu pai (o vigilante Nélio dos Santos, 57)", contou.

Nélio e o filho mais novo, Jorge, 25, não tiveram forças para ir ao velório. Ainda segundo Gabriela, sua mãe amava a Portela e não perdia ensaios: "Parece ironia, mas ela tinha pavor de atravessar ruas e odiava andar de carro, com medo do trânsito".

Papo salva portelenses

Uma reunião inesperada salvou os componentes da Portela. O ensaio estava previsto para começar às 18h30 no mesmo local e horário da tragédia. Cerca de 1.500 integrantes já estavam concentrados na quadra. O evento só atrasou porque a Diretoria de Carnaval decidiu se reunir com os componentes para pedir que todos encarassem o ensaio como o desfile oficial. Foram 10 minutos que salvaram os componentes.

Cirurgia pra retirar prego

Durante a madrugada,Terezinha Amorim Alves Carneiro, 60, foi submetida a uma cirurgia para retirada de um prego, que ficou alojado em sua cabeça em decorrência da explosão da bomba. O caso mais grave é o do ambulante Cristiano Mário Francisco, 31, que está internado em estado grave no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Ele foi atingido no rosto, perna e braço.

 

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